Now you’re observing the corners

And showing the first signs of aging

I’m not trying to read you anymore

Just keep on turning me through the days

And so it is

Just like you said it would be

Life goes easy on me

Most of the time

And so it is

The shorter story

No love, no glory

No hero in her sky

 

Did I say that I loathe you?

Did I say that I want to

Leave it all behind?

 

I can’t take my mind off you

‘Til I find somebody new

She is everything to me

The unrequited dream

A song that no one sings

The unattainable

She’s a myth that I have to believe in

All I need to make it real is one more reason

And I don’t know what to do,

 

I don’t know what to do

when she makes me sad.

 

She isn’t real

I can’t make her real

If i were brave enough to

Ask you to stay

Would that scar upon your lip

Move and come my way

 

Watch your eyes change from

Blue and back to green

Something deep inside of me is

Telling me to leave

But i don’t want to have to let you go

 

I want you but i hate to say those words

But here i am

Standing right in front of you

Asking for a hand

But i don’t want to have to let you go

 

Let this part of me

Remember how lovely we are, we are

When you try your best, but you don’t succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can’t sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can’t replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you

I find shelter, in this way
Under cover, hide away
Can you hear, when I say?
I have never felt this way

All I want is the best for our lives my dear,

and you know my wishes are sincere.

What’s to say for the days I cannot bear.

(Source: lonelycarousel)

[Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada

daquilo que disseste quando os meus seios começaram

a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,

murcharam tão depressa as rosas que me deram —

se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu

deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.


Mãe, eu quero ir-me embora — os meus sonhos estão

cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,

só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais

que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos

os sonhos que tiveste para mim — tenho a casa vazia,

deitei-me com mais homens do que aqueles que amei

e o que amei de verdade nunca acordou comigo.


Mãe, eu quero ir-me embora — nenhum sorriso abre

caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.

Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez

não chames pelo meu nome, não me peças que fique —

as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me

embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue

de uma ferida que se foi encostando ao meu peito

como uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.


Mãe, eu vou-me embora — esperei a vida inteira por quem

nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta

hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.

Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas

essa voz, tu sabes, não é a tua — a última canção sobre

o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias

foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão

tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam

virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.]

 - Maria do Rosário Pedreira.

[Escute-me só por um momento! Perdoe-me se lhe digo mais uma coisa… É o seguinte: não posso deixar de aqui voltar amanhã. Sou um sonhador; a minha vida real tão reduzida que momentos como estes que agora vivo são para mim de tal modo preciosos que não poderei evitar de os reproduzir nos meus sonhos. Sonharei consigo toda a noite, toda a semana, todo o ano. Voltarei obrigatoriamente aqui amanhã, justamente aqui, a este mesmo local, a esta mesma hora, e sentir-me-ei feliz por recordar o que hoje aconteceu. Doravante, este lugar é sagrado para mim.]

- Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski 

[a noite tornou-se patética sem ti
não tinha sentido pensar em ti e não sair a correr pela rua
procurar-te imediatamente
correr a cidade duma ponta a outra
só para te dizer boa noite ou talvez tocar-te
e morrer
como quando me tocaste a testa e eu não pude reconhecer-te
apesar de tudo senti a mão sabia que era a tua mão
mas não podia reconhecer-te
sim
correr a cidade procurar-te mesmo que me afastasses
mesmo que nem me olhasses
mesmo que dissesses coisas que me
mesmo que
e ter a certeza de que serias tu depois a procurar-me]

- Al Berto